Rua do Medo
TOBIAS: Os assaltos normalmente são iguais. A ausência de ações preventivas facilita a vida dos bandidos. A ocasião faz o ladrão, como a senhora já deve ter ouvido por aí.
RUBIA: Já ouvi, mas felizmente, até agora como metáfora.
TOBIAS: Não existe metáfora que defina com exatidão o terror de um assalto.
RUBIA: Graças a Deus não foi comigo.
TOBIAS: Vamos prevenir, para que isso nunca aconteça com a senhora!
RUBIA: Por isso eu quero uma arma.
TOBIAS: A senhora tem a ficha criminal limpa?
RUBIA: Infelizmente não porque agredi uma empregada há dois anos.
TOBIAS: Que desagradável.
RUBIA: Ela mereceu, mas como eu bati por trás, a justiça deu ganho de causa pra moça.
TOBIAS: Isso pode ser um obstáculo na hora da compra.
RUBIA: Mais um motivo pra detestar aquela cretina...
TOBIAS: São os tempos de hoje. Houve uma época em que qualquer um podia andar armado sem precisar dar satisfações pra ninguém. Eu mesmo, quando fiz dezesseis anos ganhei de aniversário um trinta e oito do meu pai.
RUBIA: O seu pai deve ter sido um homem maravilhoso.
TOBIAS: Mas sabe como são os filhos. Você oferece a mão, eles já querem o braço. No ano seguinte, eu pedi uma automática. Ele me disse: " vamos parar por aí, moleque, senão quando você fizer vinte e um vai me pedir uma bazuca"...
RUBIA (NUM ACESSO): Ah, Ah, Ah...
TOBIAS: Eu era só um jovem idealista, apaixonado pela vida. Tem alguma coisa pra se beber?
In Rua do Medo, que estréia em 2009
Escrito por Leonardo Cortez às 03h35
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