O professor
O professor de teatro olhou aqueles alunos todos no palco e sentiu muito orgulho ao perceber o desenvolvimento de cada um no final daquele trabalho. Lembrou do processo desgastante, da dificuldade de formar a roda e fazer o povo entender que o teatro é trabalho de grupo e que é preciso uma coragem imensa pra se revelar enquanto se representa outra pessoa. Ali estavam os alunos, inspirados por ele, renascidos e gratos, impregnados da experiência que é efêmera no palco, mas eterna na memória. Tudo acabava ali e não havia mais nada que ele pudesse fazer por aquelas pessoas. Então, o professor se lembrou que no ano seguinte tudo ia recomeçar do zero, com outros alunos, numa nova experiência.
E sorriu, porque só o verdadeiro professor sorri diante da perspectiva do recomeço.
Escrito por Leonardo Cortez às 23h49
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Mothern
Eu sempre simpatizei com o Mothern. Sempre achei a série bacana e por isso fiquei muito lisonjeado quando me chamaram pra ser o ex-marido da Fernanda D´umbra em dois episódios da segunda temporada. De qualquer modo, é duro fazer participação nesse tipo de coisa quando você não conhece a equipe e ninguém te conhece lá dentro. Quem tá lá dentro já ta enturmado e eu sou um cara que precisa conviver pra fazer amigos. Fora que a trajetória do personagem é curta e quando você começa a entender o negócio, o negócio acaba. Ontem, assisti meu episódio pela primeira vez. Me achei convincente no papel daquele carinha bem resolvido. Foi um alívio, porque eu me sinto mais á vontade no papel do neurótico. Acho que qualquer um se diverte mais fazendo o neurótico. Mas aí, no Mothern, disseram que o cara que eu ia interpretar era tranquilão. Eu bem que tentei emprestar algum traço de neurastenia pro papel, mas a assistente de direção era uma cagueta atenta e a cada take ela apontava algum exagero inapropriado à tranqüilidade do personagem. De qualquer modo, alguma coisa ali funcionou. Apesar de fazer um cara equilibrado, existia na minha composição um traço de insegurança que humanizou o sujeito. Aí, eu lembrei que tava genuinamente inseguro em cena diante da tarefa de interpretar um sujeito tão bem resolvido naquela participação tão curta no meio de uma equipe tão enturmada onde ninguém me conhecia. O resultado é que eu fiz uma coisa meio hesitante que combina com a situação de pai de primeira viagem que o personagem enfrenta. Acho que funcionou bem no final das contas.
Tudo isso pra dizer que é bom quando a gente consegue usar a dificuldade ao nosso favor na hora de trabalhar.
Escrito por Leonardo Cortez às 23h29
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|