O registro eterno da alegria efêmera
Quarta-feira foi um dia lindo.
Eu tava lá no Teatro Folha, vestido de Homem-Televisão, sentado na platéia, esperando a minha vez de entrar em cena no ensaio geral, enquanto a Eliana Fonseca acertava a luz da cena. E pensei naquela hora que realmente eu gostava daquilo. Que eu realmente tava lindo vestido com aquela armadura, que todas as minhas espinhas tavam disfarçadas debaixo da maquiagem e que qualquer um ficava bonito com aquela luz violeta que ela tinha montado. Pensei que realmente é uma delícia o silêncio do teatro vazio preenchido pelos gritos dos técnicos e pelos apelos inseguros dos atores que ainda não sabem direito por onde vão entrar e por onde vão sair. Que é sempre ótimo fazer arte dessa engrenagem complexa que só funciona se cada um fizer sua parte direito. E tava pensando em tudo isso, quando a Eliana interrompeu tudo pra simplesmente declarar que adorava o teatro. Foi um espasmo de euforia da nossa diretora, que não tinha nada a ver com os problemas técnicos que a gente tava resolvendo no ensaio geral. Mas todo mundo sorriu, concordando.
Aí, a peça estreou, eu dei os berros de sempre e emagreci uns dois quilos por causa do calor e da armadura. Eu acho delicioso o suadouro de estar em cena. Teatro é um esporte que faz sentido. A Glaucia assistiu, o que também foi ótimo. Se existe uma coisa tão boa quanto contracenar com a Glaucia é ver que ela está na platéia quando a peça termina. Então a gente tomou lanche e depois voou pros Parlapatões pra fazer Escombros. E aconteceu tudo de novo. Sentei na platéia paramentado de Henrique e acompanhei, entre uma piada e outra, os últimos detalhes da montagem antes do espetáculo. Que alias, foi um dos melhores da temporada.
Então, se me permitem o momento de pieguice, eu declaro sem constrangimento: a gente ganha pouco, mas se diverte como ninguém. E justamente por isso, eu me sinto um bocado privilegiado.
Escrito por Leonardo Cortez às 00h04
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