Play with children
Estamos deixando a nossa peça de pé, de novo. Fazemos o possível no pouco tempo que a vida tem nos disponibilizado pra isso. Somos uma companhia de jovens atores pais. Fico um pouco constrangido de dizer pros meus colegas de elenco que vamos ratear a bilheteria e que isso pode significar a compra de muito pouca fralda. O amor pelo teatro tem ajudado. As crianças são bem mais importantes que o teatro pra nós nesse momento, mas estamos nos esforçando. Fizemos o primeiro ensaio numa noite dessas aqui em casa, com todo mundo interpretando baixinho pra não acordar a Clara. Foi um bom exercício na busca de uma interpretação mais sutil.. Essa história de articulação e vocalize ficou no passado. Agora nosso aquecimento é contar as estripulias das crianças. E o trabalho vai rendendo de maneira surpreendente. Temos três ensaios marcados pra semana que vem, e depois deles, tudo vai estar pronto. É bem verdade que o filho do Jabá pode nascer a qualquer momento, o que certamente vai cancelar um dos nossos encontros. Cada vez que toca o telefone e é o Jabá, eu acho que ele vai anunciar o nascimento.
Mas por enquanto tudo o que ele tem pra me contar é que vai chegar atrasado.
Escrito por Leonardo Cortez às 22h42
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Bufê
Num bufê infantil você tem duas alegrias. A primeira é ver que a sua filha tá se divertindo. A segunda é ir embora.
Num bufê infantil você tem uma mistura de sons que vão desde a Xuxa cantando remixes de seus grandes sucessos, passando pelos gritos das mães aflitas quando alguma criança está em vias de despencar de algum brinquedo. Tem o som dos brinquedos eletrônicos e dos gritos das crianças hiperativas. No meio daquela balbúrdia, você tenta tabular alguma conversa com algum pai entendiado, enquanto se degusta cerveja quente no copo de plástico. O outro pai comenta com você que bom mesmo eram as festinhas da sua infância, promovidas em casa, sem toda a parafernália eletrônica e principalmente, sem a Xuxa cantando os remixes. E antes que você possa responder, um menino mais velho atropela sua filha de um ano e meio, enquanto brinca de pega-pega , deixando a menina estatelada no chão. Ela, no entanto, está tão fascinada por aquele universo de luzes , cores e sons que acaba nem chorando. Enquanto isso, os garçons servem salgadinhos encharcados na gordura saturada, que você devora como um animal, talvez pra aliviar a ansiedade causada pela voz da Xuxa em altos brados. Os brinquedos eletrônicos também tocam musiquinhas, as monitoras tentam organizar a bagunça com gritos, os pais conversam amenidades e do lado de fora, uma mãe nervosa traga mais um cigarro pra aliviar a tensão.
Ontem, quando a Clara chegou em casa depois da festinha, ela desmaiou de exaustão. Eu também.
Escrito por Leonardo Cortez às 22h22
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