Tô sendo honesto, mas é mentira...
Toda vez que eu deixo de discutir com alguém , eu me arrependo de não ter dito certas coisas. Toda vez que eu discuto com alguém, eu falo certas coisas das quais me arrependo. Toda vez que eu começo a discutir com alguém, eu tenho certeza de que estou certo e que a outra pessoa está errada. Normalmente, eu me considero o cara mais certo do mundo e quando os outros não percebem isso eu fico tão indignado que acabo não conseguindo me expressar direito.
O que acontece é que normalmente eu perco as discussões. E ainda peço desculpas, do que muito me arrependo depois.
Escrito por Leonardo Cortez às 23h52
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Tia Emília
Minha tia Emília, que mora em Bragança, não tem internet, não sabe mexer em computador e nem se interessa por isso. Ela prefere ficar em casa tricotando e cuidando do gato. Quando a gente se fala pelo telefone ela sempre me pergunta quando eu vou pra Globo. Eu respondo que a Globo não tem muito interesse em mim, que eu não faço looby etc, mas ela simplesmente me acha lindo e que a Globo tá comendo bola ao não me colocar como protagonista, nem que seja da novela das seis. Eu digo pra ela que tô bem assim do jeito que eu tô e ela se conforma, achando que o que eu gosto mesmo é de fazer teatro, naquelas peças engraçadinhas que sempre acabam com final infeliz.
Um dia, minha tia Emília vai deixar o gato de lado e vai ler meu blog com a ajuda do meu primo Juquita, que trabalha no Banco do Brasil e que entende tudo de computador. Ela nunca deixa de emitir a sua opinião sobre as coisas e certamente vai redigir um comentário depois de algum post. Conheço minha tia de longa data e sou capaz de imaginar o que ela vai escrever. E vai ser mais ou menos isso:
“Querido sobrinho...
Acabei de ler o seu blog de cabo a rabo e estou muito preocupada com você. É óbvio que você anda vivendo uma fase muita ansiosa e atormentada. Seu primo Juquita diz que é viadagem de artista, mas eu sempre digo pro Juquita que se você fosse viado não tinha tido filho. Então ele fala que isso não significa nada, começa a citar o Michael Jackson e nessas horas eu mando ele pra fora da cozinha. De qualquer maneira, ando muito preocupada com você, como eu ia dizendo. Seu diário na Internet está cheio de textos com um monte de metáforas sobre a vida e sobre as vicissitudes do seu cotidiano. O seu primo Juquita diz que é tudo metáfora barata e quando você quer bancar o filósofo, nem o Paulo Coelho consegue ser pior. Eu discordo do Juquita, acho que você escreve muito bem, mas não tão bem quanto o Paulo Coelho, obviamente. No entanto, acredito que a sua energia está canalizada pro lugar errado, meu querido. Se você gosta tanto de escrever, por que não tenta um concurso público pra que você tenha um pouco mais de estabilidade? Dizem que nessas provas, eles valorizam muito a redação e é hora de pensar na família, agora que você é pai. Essa mania de fazer teatrinho já deu o que tinha que dar, convenhamos. Tanto trabalho pra fazer uma peça que não fica nem dois meses em cartaz e que ninguém assiste! Você já procurou o Falabella como eu te aconselhei? Parece que ele ganha um bocado de dinheiro fazendo teatro. Por que que você só leva prejuízo e ainda assim continua insistindo? Não te entendo, meu sobrinho. Você continua se comportando como aquela criança que quando passava as férias em Bragança, provocava o Juquita, mesmo sabendo que o Juquita era mais forte e que iria apanhar. Até quando você vai provocar a vida e continuar apanhando, menino? Ando muito preocupada com você...
Quando você fala da Gláucia, acho lindo. Quando você fala da sua filha acho mais lindo ainda. Gosto muito dos contos, mas prefiro os engraçados, muito embora você não perca essa mania de sempre querer mostrar desgraça mesmo fazendo comédia. Isso te atrapalha muito, já falei pra sua mãe. Todo mundo sabe que essa vida é um vale de lágrimas, não precisamos de nenhum escritor chato lembrando a gente disso o tempo todo, principalmente quando a gente pensa que vai ler alguma coisa engraçada. O teu comportamento me lembra o finado tio Elias, que no dia da morte do seu bisavô, contou uma piada antes de comunicar pra tia Claudia que o pai dela tinha morrido. O Tio Elias sempre foi desagradável. Você tem prazer em ser desagradável, menino?
Falo tudo isso pro seu bem. Eu sei que tem um coração sensível batendo no seu peito e que uma hora você vai criar juízo. O Juquita quer conversar com você sobre o concurso do Banco do Brasil que ele prestou ano passado. Ele também mandou avisar que te dá um pau com a mão direita amarrada nas costas. É claro que ele ta brincando. Apareça logo pra uma visita. Você é sempre muito bem vindo aqui em Bragança. Inclusive eu tenho uma vizinha que é doida pra te conhecer: ela era fã da Floribella e te adorava fazendo aquele papel de motorista. Era motorista, né?
Beijos da tua tia que te ama
Emília.”
Tia Emilia, obrigado pela preocupação. E diz pro Juquita que ele continua o mesmo rolha de poço de sempre!
Escrito por Leonardo Cortez às 00h02
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15 linhas
Esperar é um bocado difícil porque a energia não se dispersa. Fica represada dentro de mim, esperando uma válvula de escape. Ando esperando algumas respostas que demoram um pouco pra chegar. O que mais eu posso fazer se já juntei as pessoas, escrevi a obra, apresentei o projeto pra quem tem o dinheiro, o espaço e a mídia? Não me resta muita coisa a fazer a não ser esperar e quanto mais ansioso eu fico, mais a vida diz que as coisas não acontecem no tempo que eu quero. Já foi o tempo do plantio e a colheita promete ser abastada. No entanto, é preciso calma na espera de que tudo frutifique conforme o esperado. E se não frutificar, então a única alternativa será plantar tudo de novo.
Porque enquanto não se morre de fome a busca pela comida continua.
Escrito por Leonardo Cortez às 22h44
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