O Borat saiu carot
Péra lá: esse foi o cara apontado como o novo nome do humor mundial? Que teve o roteiro indicado ao Oscar? Que recebeu quatro estrelas no guia da Veja? Que foi descrito como o sucessor do Monthy Pyton? Então por que que eu não dei uma única risada com o Borat? Será que é porque eu achei o filme bobo, o cara chato, as situações forçadas e fundamentalmente o resultado absolutamente sem-graça? Será que é porque definitivamente essa fórmula de fazer piada com um sujeito ridicularizando a situação real já deu no saco há muito tempo? Por que será que eu não acho graça quando alguém tá fazendo troça do outro quando o outro não sabe, o que pra muita gente aumenta o efeito cômico? Por que será que eu tô mortalmente enjoado desse tipo de pegadinha intelectual em nome do humor e da consciêntização da nossa própria mediocridade?
Não acho graça do Pânico, aquela trupe de canalhas. Não achei graça do Borat, esse inglês que se vendeu pros americanos fazendo graça com o Casaquistão. A imbecilidade tá globalizada. O humor tá em crise, o efeito estufa é irreversível.
Como se não bastasse os nossos problemas...
Escrito por Leonardo Cortez às 13h39
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A Lenda
Acontece o seguinte. Já faz quase um mês que eu não faço nada. Nada! É preciso ser macho pra assumir uma coisa dessas quando todo mundo que eu conheço tá sempre fazendo alguma coisa interessante e super legal. Pois bem. Eu não tô fazendo porra nenhuma e virando uma lenda. Fui visto assistindo a peça do meu irmão, fui visto tomando uma cerveja com o Zé. Fui visto na platéia do cinema, aproveitando a escuridão pra passar incólume. Fui visto correndo na praça , no esforço supremo de não virar um boi. Fora isso, ninguém sabe de mim, nem eu mesmo, por enquanto. Devo estar em crise, certamente, mas não tô me levando à sério. Sei que a crise passa e eu já passei por piores. Também sei que tem um monte de injustiças pra serem corrigidas, bandeiras a serem desfraldadas e um mundo em colapso com a irreversibilidade do efeito estufa. Daqui a pouco, eu faço algo a respeito. Por enquanto, eu fico no tanque de areia do parquinho com a Clara e as outras crianças. E quando dou por mim, sou o mais entusiasmado da turma com o castelinho.
Escrito por Leonardo Cortez às 12h36
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