Ao Mestre com Carinho
Maravilhas do YouTube: acabei de ver o vídeo do "Aprendiz" onde o Roberto Justus bate boca com um dos participantes e o cara , pra desconforto do botocado chefão, se demite ao invés de ser demitido.
Pra ser sincero quando li a notícia que dava acesso ao link do vídeo, imaginei uma cena bem mais contundente. O cara batendo na mesa, o Justus humilhado, tentando impor sua autoridade no grito, fazendo papel de ridículo. Não que o Justus não faça papel de ridículo todas as vezes que surge com aquele ar de genérico do Donald Trump. Acho patético o tom de seriedade do Justus, acho patética a babação de ovo dos candidatos atrás daquele empreguinho merreca de escritório. Acho "O Aprendiz" sintomático da falência dos valores humanos no mundo coorporativo, um programa onde as provas valorizam o individualismo e a caguetagem no jogo de equipe. Por mim, todos os caguetas tavam demitidos e o Justus, chefe-mor da quadrilha dos caguetas seria o primeiro a levar o pé na bunda, daqueles bem dados, que é pra amassar o terninho Hugo Boss e o topete laqueado.
Mas voltando ao vídeo, o candidato de nome Peter se demite com muita reticência, tadinho. Morrendo de medo, pedindo desculpas. Ainda assim, num fio de voz, ele diz que é o presidente da própria vida e que demite o Justus da sua existência, numa atitude que faz dele o mais digno de todos os candidados de toda a história do programa mesmo que ele não saiba disso. No final, depois de levar um sabão do marido da Ticiane Pinheiro, o Peter toma um taxi e cai no choro enquanto passam os letreiros. Provavelmente pensando na ameaça canalha do Justus, que disse em outras palavras que ele tinha se queimado com muita gente depois de tomar a atitude mais corajosa que alguém já tomou naquela merda de programa.
Mal sabe o Peter que ele que não precisa temer o desemprego a partir de agora. Acho que o minímo que pode acontecer é esse cara ser contratado muito antes do que se imagina por uma grande multinacional, porque a ousadia recebe prêmio nesse mundo de covardes. Mas te garanto, Peter, que isso não vai ser garantia de felicidade e que talvez depois de alguns anos de vida perdida, aquele desejo de montar o próprio negócio, e virar você mesmo o Roberto Justos, vai crescer como um furúnculo dentro na sua alma. Mas aí é outra história. Por enquanto enxuga essas lágrimas porque tudo o que você fez foi dar vazão ao desejo que gente como eu sente quando assiste o "Aprendiz": demitir aquele babaca. Isso antes de mudar de canal, obviamente.
Escrito por Leonardo Cortez às 02h11
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